Vilancete de Abel no Auto da Historia de Deos, representado em Almeirim em 1527.

Adorae, montanhas,
O Deos das alturas,
Tambem as verduras;
Adorae, desertos
E serras floridas,
O Deos dos secretos,
O Senhor das vidas:
Ribeiras crescidas,
Louvae nas alturas
Deos das criaturas.
Louvae, arvoredos
De fructo presado,
Digam os penedos
Deos seja louvado,
E louve meu gado
N'estas verduras
O Deos das alturas.

Obr. t. I, p. 317.


A serra é alta, fria e nevosa;
Vi venir serrana gentil, graciosa.

Cheguei-me a ella de gran cortezia,
Disse-lhe:—Senhora, quereis companhia?

Disse-lhe:—Senhora quereis companhia?
Disse-me: «Escudeiro, segui vossa via.

Obr. t. III, p. 214.{[21]}


Fragmento da versão da «Bella mal maridada.»

Le bella mal maruvada
De linde que a mi ve,
Vejo-ta triste nojada,
Dize tu razão puruque.
A mi cuida que doromia
Quando me foram cassá;
Se acordaro a mi jazia
Esse nunca a mi lembrá.
Le bella mal maruvada
Não sei quem cassa a mi,
Mia marido não vale nada,
Mi sabe razão puruque.

Obr. t. II, p. 333.