E como, senhor, não quer
Vossa real magestade
Saber primeiro a verdade,
Senão mandar-me prender
Por tão grande falsidade?

Imperador:

Não vos quero mais ouvir,
Levem-no logo á prisão,
Onde eu o mando ir;
Porque tam grande traição
Não é para consentir.
Vós outros podeis tornar,
E contar-lhe o passado
A quem vos cá quiz mandar;
Que o seguro que lhe hei dado
Eu o torno a affirmar.

(Aqui vem a Imperatriz)

Imperatriz:

Eu muito me maravilho
De vossa grande bondade;
Que sem rasão, nem verdade
Trataes assim vosso filho
Com tão grande crueldade.
Olhe vossa magestade
Que é herdeiro principal,
E que toda a christandade
Lh'o hade ter muito a mal.

Imperador:

A mim, senhora, convém
Ser contra toda a traição,{[90]}
E se vosso filho a tem,
Castigal-o-hei muito bem;
E essa é a minha tenção.
E mais eu vos certifico,
Que com direito e rigor
Heide castigar o iniquo,
Ora seja pobre, ou rico,
Ora servo, ou gram senhor.

Imperatriz:

Como quer vossa grandeza
Infamar o nosso estado
Sem causa, com tal crueza?