(Ir-se-ha Dom Reinaldos, e vem a Imperatriz vestida de dó)

Imperador:

Senhora, já não dirão
Que fui eu mal informado,
Nem que o prendo sem rasão,
Pois por sua confissão,
Vosso filho é condemnado.
Vêdes a carta presente,
Que foi feita da sua mão,
Para o Conde Dom Roldão;
A qual muito largamente,
Declara toda a traição.

Imperatriz:

Eu muito me maravilho
Do que, senhor, me ha contado;
Pois que elle ha confessado,
Melhor é morrer o filho
Que deshonrar o estado.
Mas a dôr do coração
Sempre me hade ficar...
Peço-lhe com affeição,
Que lhe busque salvação,
E que o queira escutar.

Imperador:

Melhor é que o successor
Padeça morte sentida,
Que ficar o pae traidor,
Que será trocar honor
Pela deshonra nascida.
Tambem eu padeço dôr,
Tambem eu sinto paixão,
Tambem eu lhe tenho amor,{[101]}
Mas antes quero rasão,
Que amisade sem favor.

Imperatriz:

Pois que não póde escapar,
Eu não consinto, nem quero,
Que vós o hajaes de julgar,
Porque vos podem chamar
Muito mais peior que Nero.

Imperador: