E o auctor do livro Origine turanienne des Américains, tambem a emprega no sentido epico: «La litterature des Tupis, comme celle des Caribes, ne se trouvait que dans les Areytos, ou traditions des hauts faits de leurs devanciers, qu'ils chantaient en dansant, au son d'instruments.»[24] Na Europa, como vimos, persistiu a designação no Aurust, do Béarn, e, segundo a phrase de Oviedo, parece ter sido empregada em Hespanha, como a Aravia o foi em Portugal[25]. As lamentações dos mortos nas Vascongadas chamam-se Arirrajo, forma proxima do Areyto e do Aurust[26].
Do canto funebre dos bearnezes, os Aurusta, fala o collector das Poésies bearnaises, (p. VII, ed. Pau, 1852): «nos funeraes, quando a familia do defunto, para celebrar sua memoria, não pode senão achar lagrimas, duas mulheres, poetisas de profissão, semelhantes ás Voceratrices da Corsega, improvisam coplas cantadas sobre um tom lamentavel: uma lembra as boas acções do defunto, e a outra as más, imagens d'estes dous genios do bem e do mal que parecem conduzir o homem na vida; este uso que se encontra entre outros povos, mas que em nenhum apresenta um caracter tão eminentemente religioso e moral, tem o nome de Aurusta[27].» Em uma edição anterior d'este livro, com o titulo de Chansons et Airs populaires du Béarn, colligidas por Frederic Rivares, se define precisamente esse genero: «Os funeraes apresentam uma particularidade notavel. Logo que o doente exhala o ultimo suspiro, o seu corpo é estendido no chão, no meio da casa, e rodeado de uma multidão de mulheres que oram e velam lançando a espaços gritos lamentosos e medonhos gemidos. A mulher do defunto e os parentes mais proximos estão á frente das carpideiras e improvisam cantos em que são celebradas as suas virtudes. Este signal de dôr e affeição acompanham o morto até á ultima morada, e a occasíão em que a terra vae cobrir os caros despojos é indicada por uma explosão de gritos e de lamentações.
«Portanto o Aurust (é assim que se chama este canto) contém outras vezes mais do que louvores; é antes um julgamento do que uma oração funebre, e mais do que uma vez os parentes e o clero foram escandalisados por improvisos mais proprios para denegrir o morto e mesmo os vivos do que a excitar as magoas da sua perda[28].»
Um canto lyrico do bearnez Navarrot Lous adious de la ballé d'Aspe, refere-se a este costume do seu paiz:
Qué dic, praübeit, l'amne qué s'em desligue
Daüme abadesse a biénét m'aurousta[29]!
Traduzido em portuguez, corresponde litteralmente:
Que digo, pobres, a alma que se me desliga,
Dona abadessa vinde-me aurustar (carpir).
Na epoca de D. João I ainda era costume em Portugal bradar sobre finado, e existia o costume das carpideiras, como entre os turanianos da Caria.