Onde quer que cho demo jaz (Ed. 1804, p. 220.) Não sei quem che por famoso (Id. 291.) Antre nós che era outro tal. (Id. 223.) Disse então. E assi che vae? (Id. 232, passim.)

Dos Autos de Gil Vicente tiraremos os bastantes para se reconhecer este fundo da lingua:

Cha, cha, cha, raivaram ellas (Ob. t. I, p. 131.) Que a ninguem tanto mal quige (Id. p. 135.) Se xe m'eu isso soubera (Ib. p. 136.) Que te dixe, mana emfim? (Ib. p. 142.) Que homem ha hi-de pucha (Ib. p. 172.) Isto hi xiquer irá (Ib. p. 247.) A Deos douche alma dizer. (Ib. p. 261.) Assi xe m'o faço eu. (III, 162.)

Até em Camões ainda persistem as formas gallegas, como na cantiga:

Hei me de embarcar n'um barco;

e nos Lusiadas na expletiva a, tão peculiar do dialecto em que o grande epico chegou a escrever dois sonetos.

Bem cedo as relações ethnicas de Portugal com a Galliza foram desconhecidas, e este facto é uma consequencia do desprezo que os escriptores tiveram pela tradição nacional. O nome de gallego tornou-se desprezivel em Portugal, e os grandes poetas oriundos de familias gallegas usaram-no n'esse sentido. Assim diz Sá de Miranda em uma Serranilha:

Sola me dexaste

En aquel yermo

Villano, malo, gallego. (Ob., 1804, p. 404.)