Os trovadores e jograes que figuram no Cancioneiro da Vaticana, constituiram um genero poetico d'esta caracteristica tão especial dos cantos populares gallegos; a par de muitas canções de uma metrificação artificial e de um sentimento requintado, apparecem os mais suaves idylios em um parallelismo quasi biblico, com retornellos repetidos, em que são as mulheres que fallam dos seus namorados, despedindo-se, esperando-os, arrufando-se com elles, pondo prazo para romarias. Chamou-se a este genero Cantares de Amigo, e o que assombra é a persistencia d'esta fórma, que se elevou do povo até á imitação aristocratica, obtendo a predilecção de el-rei Dom Diniz, e como tornou a desapparecer dos Cancioneiros ficando até hoje nos costumes populares. Algumas d'essas cantigas de amigo eram tão proverbiaes que os segreis as intercallavam no meio das suas composições, como fazia Ayres Nunes, repetindo:

Sol-o ramo verde, frolido

Vodas fazem ao meu amigo;

e choram olhos de amor.

(Canc. da Vat., n.º 454.)

Uma canção de João de Gaya, termina com esta rubrica preciosa: «Esta cantiga foy seguida de uma baylada que diz:

Vós avedes los olhos verdes

e matar-me-hedes com elles.»

(Canc. da Vat., n.º 1062.)

Em outro logar o mesmo jogral satyrisando o alfaiate do bispo Dom Domingos Jardo, apresenta a rubrica: «Diz uma cantiga de vilaño: