Yporanga ne iavé.

Vamos dar a despedida

Mandú sarará,

Como deu o passarinho,

Mandú sarará;

Bateu aza, foi-se embora

Mandú sarará,

Deixou a penna no ninho

Mandú sarará[14].

A tradição das raças ante-historicas conserva ainda fabulas mythicas, como a da origem da noite, a do Jabuti, e muitas d'ellas entraram como contos populares na vida domestica de Sam Paulo, Goyaz e Matto-Grosso, taes como a historia de Saci Sereré, Boitatá e Curupira. É este elemento tradicional vigoroso que faz despontar na litteratura brazileira essa esplendida efflorescencia das creações epicas no seculo XVIII, como o Uraguay, o Caramurú, e ainda no seculo XIX os Tymbiras, e Confederação dos Tamoyos. Mas deixemos de parte esta ordem de creações que depende do sentimento da nacionalidade nas civilisações modernas. O ardor das paixões do mestiço, a sua dissolução servida por uma voluptuosidade artistica, como a poesia ou a musica, tornam estas duas fórmas aphrodisiacos inebriantes e communicativos, que dão em terra prematuramente com os talentos mais auspiciosos, como Alvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves e Varella. A vida domestica resente-se d'este fervor, e os costumes publicos manifestam por outro lado recorrencias de usos peculiares do tupi (os bagachas). O cruzamento primitivo fez redobrar a intensidade sentimental; quem se lembra da velha phrase de Lopo de Vega: «Eu, senhora, tenho olhos de criança e alma de portuguez» só a póde comprehender agora diante da exaltação do brazileiro. Nós somos hoje menos alguma cousa.