Diciendole Gerineldo:

—Señora, será cumplido.

DURAN, t. I. p. 177.

7—Romance da Noiva roubada—Na bella collecção dos Cantos populares da Grecia moderna, feita pelo conde de Marcellus, na quinta parte, que encerra as legendas, se encontra uma intitulada o Rapto, em tudo semelhante ao romance portuguez. Eil-a:

«Em quanto estava assentado e comia a uma mesa de marmore, meu cavallo nitriu e o meu sabre estrepitou. Disse então para mim: Casam a minha bella; abendiçoam-na com outro; para outro a corôam, desposam-na, e dão-lhe outro marido. Levanto-me e vou direito aos cavallos, que são ao todo setenta e cinco: qual é dos meus setenta e cinco cavallos, o que pode faiscar no Levante e dar consigo no Poente? Todos os cavallos que me ouvem gotejam sangue; todas as eguas que me escutam abortam. Mas um velho, um velho corcel, com quarenta feridas: «—Eu sou velho e feio, não me dou com as viagens; mas pelo amor da minha bella senhora emprehenderei a corrida, porque ella me trazia de comer no avental arregaçado, e de beber na cova da sua mão.» Sella immediatamente o cavallo, e immediatamente o monta. «Cinge a cabeça com uma toalha de nove almas, não puches a redea, nem craves as esporas, porque isso me lembraria a minha mocidade, e eu seria como um pôtro e semearia os teus miollos em um campo de nove covados.» D’uma chicotada no cavallo adianta quarenta milhas; redobra e faz quarenta e cinco; e caminhando roga a Deos:—Meu Deos, fazei com que encontre meu pae entrançando sua vinha. Pediu como christão, como sancto foi ouvido, e encontrou seu pae podando a vinha.—Bem andaes, meu velho; mas de quem é essa vinha?—Para lucto e desgraça é do meu filho Janaki. Hoje dão um outro marido á sua bella. Com outro a abendiçoam, para outro a corôam.—Oh dize-me, dize-me, bom velho, ainda os encontrarei á mesa?—Á mesa os encontrarás, se tiveres um bom cavallo; se tens só um rocim, encontral-os-has na benção.—D’uma chicotada no cavallo avança quarenta milhas; redobra, e faz quarenta e cinco, e caminhando, vae orando a Deos.—Meu Deos, fazei com que eu encontre minha mãe regando no seu jardim! Como christão o pediu, como sancto foi ouvido, e encontrou sua mãe regando o jardim. Bem andaes, minha velhinha; de quem é este jardim?—Para desgraça e luto é do meu filho Janaki. Hoje dão um outro marido á sua bella; com outro a abendiçoam, coroam-na para outro.—Oh! dize-me, dize-me minha velha, encontral-os-hei ainda á mesa?—Á mesa tu os encontrarás, se tiveres um bom cavallo; se tiveres só um rocim, tu os encontrarás na benção.—D’uma chicotada no cavallo galga quarenta milhas, redobra e faz quarenta e cinco. O cavallo começa a relinchar e a donzella o reconhece. «Minha filha, quem conversa comtigo? quem te fala?»—É meu irmão mais velho, que traz o meu dote.—«Se é teu irmão mais velho, sae para ir dar-lhe de beber. Se é teu amante, sáio eu, e mato-o.» É meu irmão mais velho, que me traz o dote.—Ella pega em um copo d’ouro, para sair e dar-lhe de beber.—Põe-te á minha direita, ó encantadora, e dá-me de beber pela esquerda.—O cavallo ajoelhou e a donzella se achou sobre elle. Então desfillou como o vento. Os turcos pegam em seus mosquetes, mas já não alcançam nem o cavallo, nem a poeira d’elle. Aquelle que tinha um bom ginete viu a sua poeira; os que só tinham um rocim, nem sequer a avistaram». (Chants populaires de la Grèce Moderne, p. 140.)

Uma outra conclusão, que se tira da ubiquidade d’estes romances, é que o povo adopta sempre aquelles que não dizem respeito a facto algum particular ou historico; os romances communs aos povos do Meio Dia da Europa, são apenas acções cavalheirescas de imaginação, aventuras inspiradas por um certo ideal; isto se confirma pela grande vulgarisação dos romances do cyclo da Tavola Redonda, e pelo pequeno numero dos romances carolinos na Italia, na Hespanha e nullo quasi em Portugal. Na forma portugueza, e grega d’este romance se encontra a côr local de cada povo: comtudo o nosso parece mais antigo; as terras d’alem mar lembram-nos o modo como o povo designa as expedições á Terra sancta.

8—Romance do Alferes matador—Este romance ainda não tinha sido recolhido da tradição oral; veiu da Covilhã, a mina mais rica destas preciosidades, e aonde se encontram as versões mais puras. Pela confrontação com os romances francezes e italianos está incompleto, porque a donzella apenas se finge morta para salvar a sua honra: circumstancia que não seria omittida, se o nosso rhapsodo popular completasse a historia. Gerard Nerval (Bohème galante, pag. 71) traz uma canção bourbonesa, La jolie Fille de la Garde, tambem conhecida na Picardia. No Pays Messin foi recolhida uma outra versão por M. du Puymaigre (Vieux Auteurs, t. II, p. 478):

Au chateau de Beufort y avait trois belles filles

Elles sont belles, belles comme le jour;

Trois do nos capitaines leur vont faire 1’amour.