O Hortelão das flores é mais antigo.

Este metro, chamado rimance em endechas, é pouco frequente na poesia popular; é ordinariamente de uma incorrecção pittoresca. Recebi o romance recolhido na tradição oral da Beira Baixa em uma letra tão falta, de forma legivel, de pontuação e escripto á maneira de prosa, que não sabemos se o trabalho de interpretal-o destruiria em parte a ingenuidade simples da creação anonyma!

É um facto curioso comparar este romance, de uma elaboração differente, com o romance do Cegador, versão da Beira Alta e Trás-os-Montes, que traz Garrett, (Romanceiro, t. III, 98). Ha a mesma peripecia da princeza se entregar a uns amores desconhecidos, ao filho de um corta carne, que lhe sae um Duque, como na lição alludida. Este verso podia cortar-se em redondilha; Jacob Grimm na Silva de romances viejos adoptou a forma monorrima de dezeseis syllabas. Um facto notavel se descobre n’este romance: O celebre romance de Gil Vicente intitulado D. Duardos, que os Romanceiros, principalmente o de Anvers, adoptaram, que o povo assimilou e fez quasi de novo, como se pode ver na lição conservada pelo cavalleiro de Oliveira, apparece-nos aqui agora, novamente assimilado, mas deixando ainda ver alguns restos primitivos. A despedida da donzella e as falas de D. Duarte, foi o que o povo conservou na versão da Beira Baixa. São sempre as partes dramaticas que se perpetuam. Eis o romance de Gil Vicente:

Dom Duardos

En el mes era de Abril,

De mayo antes um dia,

Cuando lyrios y rosas

Muestran mas su alegria,

En la noche mas serena

Que el cielo hacer podia,