Ellos estando en aquesto,
Cartas habiam llegado
Para que cazen la Infanta
Con el Conde encarcelado.
Muito se aproxima da versão da Beira-Baixa; ha aqui tambem os sete condes que o sobrinho mata. A versão portugueza, descubrindo uma continuação da peripecia, leva-nos a crer que fosse talvez da origem portugueza, se é que todos os romances cavalheirescos do nosso povo nos não vieram da Hespanha.
27 e 28—Romances do Conde Alberto—Qual será a rasão por que este romance é o mais vulgar na tradição portugueza? Será porque tem alguma similhança com o assassinato de Dona Maria Telles pelo Infante Dom João, para casar com a filha da rainha Dona Leonor? Duran, (Romanc. General, t. II, pag. 219) quando apresenta o romance do Duque de Bragança compara-o com o do Conde Alarcos, e crê que o da tradição oral se refere á historia. O romance do Conde Alarcos (Duran, n.º 365), foi tirado dos Romanceiros hespanhoes por Balthazar Dias, e por elle glosado,como se vê pelo Index Expurgatorio de 1624, que prohibe: «a sua Glosa, com o Romance, que começa: Retrahida eatá a Infante.» (Pag. 98). Na collecção hespanhola é elle mais extenso, d’onde se vê que a versão popular foi d’ali abreviada. É um dos retratos mais completos dos costumes feudaes, e o facto do emprasamento, fez suppor a Duran, que será da epoca de Fernando IV, o Emprasado. Garrett queria á força dar-lhe origem portugueza: «eu me inclino a que o trovador castelhano alargasse a lyra do menestrel portuguez, do que vice-versa.» (Rom. t. II, p. 41). Hypothese inadmissivel á vista dos factos apontados e diante da rasão, porque em todas as versões portuguezas se encontram somente os traços geraes da lição hespanhola, resultado das abreviações que vão soffrendo na tradição. O Conde Alberto tem varios nomes nas diversas provincias: no Minho chamam-lhe Conde Albano, no Porto Conde Alberto, na Beira-Baixa Conde Anardos, Dom Duarte, Conde Yano, como colligiu Garrett, e Conde Alves, como o obtivemos d’aquella mesma provincia. Na poesia popular da Catalunha é conhecido pelo nome de Conde Floris. (Milà y Fontanals, Observationes sobre la Poesia popular, p. 20). Ticknor (Hist. da litteratura hesp. t. I, p. 131, not. 32) considera esta composição jogralesca de Pedro de Riano, «como a composição mais pathetica e bella que se tem escripto.» Guillen de Castro, Mira de Amescua, José Milanes, e Lope de Vega na Fuerza lastimosa, aproveitaram-se dos lances profundamente dramaticos d’esta creação.
Na versão de Garrett ha o maravilhoso de uma criança que fala ao peito da mãe; na versão da Beira-Baixa ha uma quasi similhança do emprazamento da lição hespanhola, o que a torna mais antiga e mais proxima da sua origem.
Suppõe-se, e Duran no Romanceiro hespanhol o aventa, que este romance allude á morte dada pelo Infante Dom João a sua esposa Dona Maria Telles, por intrigas da Rainha Leonor Telles, para casar com a Infanta Dona Beatriz.
29 e 30—Romances do Conde da Allemanha—Estas duas variantes são egualmente bellas e genuinas da tradição oral; são n’este ponto superiores á lição de Garrett (Rom. t. II, p. 79) refundida e apurada no que lhe pareceu mais legitimo e verosimil, segundo as lições castelhanas de Depping e Duran.
Os romances que apresentamos, colhidos immediatamente da tradição oral, e cheios de repetições que destroem a eurythmia do quadro, são o que ha de mais pittoresco na inspiração popular. O povo tem em cada romance uma parte dythirambica, que borda a capricho, em que se liberta da assonancia forçada; facto já lucidamente determinado por Garrett. É a parte movel por onde a variante vae de geração em geração modernisando o romance.