(Lus. I, 54.)
e como com outras duas se descreve a ilha de Mombaça:
Estava a ilha á terra tão chegada Que um estreito pequeno a dividia; Uma cidade n'ella situada, Que na frente do mar apparecia, Como por fora ao longe descobria, Regida por um Rei de antiga idade; Mombaça é o nome da ilha e da cidade.
(Lus. I, 103.)
A grande peninsula indostanica, esse theatro de tantas glorias nossas, é pintada assim:
Alem do Indo jaz, e aquem do Gange, Um terreno mui grande e assaz famoso, Que pela parte austral o mar abrange E para o Norte o Emodio cavernoso; Jugo de Reis diversos o constrange A varias leis; alguns o vicioso Mafoma, alguns os idolos adoram, Alguns os animaes, que entre elles moram. Lá bem no grande monte, que, cortando Tão longa terra, toda Azia discorre, Que nomes tão diversos vae tomando, Segundo as regiões por onde corre, As fontes sahem, donde vem manando Os rios, cuja grão corrente morre No mar Indico, e cercam todo o peso Do terreno, fazendo-o Chersoneso. Entre um e outro rio, em grande espaço, Sae da larga terra uma longa ponta, Quasi pyramidal, que no regaço Do mar com Ceilão insula defronta.
(Lus. VII, 17, 18 e 19.)
Nomea depois o Poeta as principaes nações indianas, e não lhe escapa lembrar a serra dos Gates, que é uma boa marca por ser visivel de muitas leguas ao mar:
Aqui se enxerga, lá do mar undoso, Um monte alto, que corre longamente, Servindo ao Malabar de forte muro Com que do Canará vive seguro; Da terrra os naturaes lhe chamam Gate.
(Lus. VII, 21, 22.)