E ao passar pelos seus portos não se esquece de notar o phenomeno a que os modernos geographos francezes dão o nome de raz-de-marée, que em alguns d'elles se observa, principalmente em Madrasta:

Do mar a enchente subita grandissima, E a vasante que foge apressurada.

(Lus. X, 106.)

Fallando de Aden, lembra o Poeta a circumstancia bem conhecida de nunca lá chover:

a secca Adem, pedra viva, Onde chuva dos céus se não deriva.

(Lus. X, 99.)

E estas duas palavras--pedra viva--são por si só uma completa descripção d'aquelle arido rochedo, onde já correu muito sangue portuguez.

A Ieddah attribue Camões toda a importancia que esse porto tem por ser a unica communicação para os peregrinos que, por mar, vão a Mecca:

Lá no seio Erythreo Não longe o porto jaz da nomeada Cidade Meca; Gidá se chama o porto aonde o trato De todo o Roxo mar mais florecia.

(Lus. IX, 2, 3.)