Ora a carta de Rantaine vinha preencher a lacuna.
A carta dava o motivo de Clubin. Queria roubar setenta e cinco mil francos.
Rantaine era o Deus ex machina. Descia das nuvens com uma vela na mão.
A carta era o esclarecimento final.
Explicava tudo essa carta, e demais a mais annunciava uma testemunha, Ahier-Tostevin.
Cousa decisiva, sabia-se agora o emprego do revolver. Rantaine estava incontestavelmente informado de tudo. A sua carta fazia tocar tudo com o dedo.
Nenhuma attenuante possivel na malvadeza de Clubin. Premeditára o naufragio, e a prova era a mala levada para a casa Plainmont. E suppondoo innocente, admittindo o naufragio fortuito, não devia elle, no ultimo momento, decidido ao sacrificio, entregar os setenta e cinco mil francos aos homens que se salvaram na chalupa? Era evidente. Mas que era feito de Clubin? Foi provavelmente victima do seu erro. Pereceu sem duvida no escolho Douvres.
O andaime de conjecturas, todas conformes, na realidade, occupou durante muitos dias o espirito de mess Lethierry. A carta de Rantaine teve a utilidade de obrigal-o a pensar. Teve um primeiro abalo de sorpreza, depois fez esforço de reflectir. Fez outro esforço mais difficil ainda para informar-se. Acceitou e procurou mesmo as conversas. No fim de oito dias tornou-se pratico até certo ponto; o espirito fortaleceu-se e quasi ficou curado. Sahio do estado turvo.
A carta de Rantaine, admittindo que mess Lethierry tivesse algum dia a esperança do reembolso, fez desapparecer a ultima probabilidade.
Á catastrophe da Durande ajuntava-se o naufragio dos setenta e cinco mil francos. A carta empossava-o do dinheiro tanto quanto lhe bastava para sentir a perda. Mostrava-lhe o fundo da ruina.