—Vamos pôr-lhe o thermometro? propoz a mãe para o marido com uma lagrima a cahir-lhe da palpebra.
Recalcitrou um pouco o pobresinho.
—Não, mamãe; sempre esta massada! Ficar parado um tempão... e para que, afinal? Esta febre não me quer deixar... bem feliz se puder ir vivendo com ella... me acostumando aos poucos.
Resignou-se, porém, com gracioso amuo e quedou se immovel e silencioso, com o bracinho esquerdo bem encostado ao peito.
E os olhos negros, pestanudos, scintillantes, giravam de um lado para outro, emquanto a ponta da lingua, em continuo vaivem, molhava os labios recequidos e gretados pelo ardor da terrivel consumpção.
Cruzaram-se os seus olhares com os meus e tiveram como que um sorriso de sympathia e cordialidade, com uma pontinha de vexame por estar assim doente, anniquilado, n’aquella inferioridade da molestia triumphadora, invicta.
Embora um tanto casmurro em viagem e nada propenso a entabolar relações com adventicios companheiros de caminho, não me contive e, inclinando-me para o lado em que estavam páe e mãe, perguntei-lhes, abaixando a voz:
—Desde muito enfermo este interessante menino?
Respondeu-me a senhora com verdadeiro açodamento de quem acha uma valvula de expansão a constante e incompressivel sobresalto: