E o seu rosto ensombreceu-se.

—Pelo contrario, valem mais do que eu, muito mais...

—Porque, meu amiguinho? perguntei commovido.

—Oh! elles têm saúde; eu nunca mais hei de tel-a, ainda que escape d’esta... Tambem, d’ora em diante saberei arredar-me sempre de vallas abertas... Verdade é que me diverti tanto!

E recomeçava o sub-delirio:

Cada qual nascêra com a sua sorte. O Carlinhos, que cahira dentro do fôsso e se molhára dos pés á cabeça não tivéra nada... e elle!... Quanto se rira, que boas gargalhadas déra, vendo o companheiro atolado... Sahira sujo de lama, que era uma miseria... E a borboleta azul que estavam perseguindo fugira, fugira, subindo muito alto... E as azas tinham-se aberto largas, immensas, como um manto... tomando d’alli a pouco o céo todo, de ponta a ponta... Tambem, que lembrança, querermos pegar o céo... o céo!

Ahi, fazendo um esforço sobre si, perguntou impaciente:

—Papae, não é tempo de tirar o thermometro? Está me incommodando. Além da febre e sêde... esta caceteação!...

Era tempo.

—Quantos gráus? indagou a mãe com dolorosa sofreguidão.