O acaso proporcionou-lhe, o mais inopinadamente possivel, a satisfação de seu innocente desejo.
Um tropeiro, vindo de Cuyabá, foi procura-lo.
—Senhor vigario, disse-lhe o homem tirando a meio o chapéo e coçando a gaforina, saberá Vossa Senhoria que tenho na minha carga uns dous pacótes que deviam ter ficado na mão de um sujeito de Cuyabá. Não achei na cidade o cujo e não tendo onde deixa-los, vim os trazendo até acá. Mas o trem peza e fiz tenção de pincha-los na beiradinha da estrada, se alguem não quizer ficar com eles...
—Mas, filho, retorquiu o padre, que fim levou o senhor que devia receber essa carga?
—Uns me contaram que voltou para a côrte do Rio de Janeiro, nhor-sim, outros que morreu.
—E o que contem as taes caixas?
—Parece que são livros da gente ler... eu cá não sei com segurança.
O vigário corou de emoção e com alguma pressa disse:
—Pois bem, pois bem, traga... eu os guardarei... E depois, como que fazendo um esforço penoso:
—Mas não será melhor que você faça a entrega a quem enviou a encommenda?