—Mas, mamãe, objectava Babita, elle é emboaba.
—E que tem isso, filha de minha alma? D’essa gente sahem bons maridos. Depois ha tanto tempo que está na terra, que nem parece filho da outra banda.
—Não quero este, murmurava a rapariga.
—Pois bem, continuava D. Cula, você não quiz este por ser portuga. Mas porque disse não ao João Grande, lá da Casa Branca?
—Ora, um socó... e depois zarôlho...
—Zarôlho, sim, mas é apatacado. O pae tem botica e ninguem dirá que seja moço feio de todo. Outras mais pintadas do que você, Babita, não hão de torcer o nariz, quando elle as procurar para casamento. Agora me diga o Mané Quetano, tambem é zarôlho? Rapaz tão bom, tão socegado e de familia limpa! O pae, que Deus haja, era aqui n’esta cidade, quando ella não passava de villa, um graúdo, um tutú. Esperto como elle só...
—Então o filho não sahio ao pae... é um bocó.
D. Cula costumava então abanar a cabeça.
—Minha filha, dizia ella sentenciosamente, permitta Deus Nosso Senhor Jesus Christo, que você não tire de tudo isso motivos de se arrepender. Querer fazer boca de ouro e ter feijão preto e carne secca para comer, são cousas que não vão juntas. Cada um deve pedir a Deus aquillo que basta para a sua posição. Não vá depois lhe acontecer como á Maria do Frajado, a coitada, que do meu tempo andou se fazendo de enjoada e, afinal, quando quiz casar, já não achou com quem. Morreu velha e levou palma e capella em cima do caixão. E não foi das mais infelizes, porque tem se visto muitas cousas que fazem a gente ficar sem pinga de sangue nas veias, só em pensar n’ellas.