Ribeiro.—Boa presença... bons cabellos...

Fonseca (encarecendo).—Dentes excellentes!

Ribeiro.—É um moço que tem futuro...

Fonseca.—Calculista, meu amigo! Não dá um passo sem pensar; não diz uma palavra (faz com as mãos gesto de quem pesa) sem pesal-a cuidadosamente...

Ribeiro (com certa hesitação).—Mas elle... me parece...

Fonseca (com algum receio).—O que?

Ribeiro.—Prosaico de mais...

Fonseca (arrebatado).—Como prosaico! Diga realista... Um bom senso pratico que espanta... não vê as cousas senão como ellas são. Nada ás avéssas... nada de miragens... Pão pão, queijo queijo... É da minha escola... Por isso entreguei-lhe sem receio algum a gerencia de meus bens, e tudo corre ás mil maravilhas... A minha casa de cafés foi a mais poupada... o genero começou a baixar e eu tinha os armazens abarrotados. Assustei-me... Então... (interrompe para assuar-se com estrondo).

Ribeiro (com interesse).—Então?