Fonseca.—O Miguel tranquillisou-me e pôz-se a comprar mais...
Ribeiro.—Ó homem, era arriscado.
Fonseca (com vivacidade e orgulho).—Não era? Pois bem, dous dias depois subia o café e ahi vendemos com furia... Graças ao menino ganhei bastante. (Com alguma ternura) Ah! Snr. Ribeiro, o senhor faz um casamentão... Palavra de honra é um casamento de mão cheia...
Ribeiro.—Estou certo que minha filha ha de ser feliz...
Fonseca (influindo-se pouco a pouco).—Que duvida! Um noivo d’aquella força no movimento da praça!... Um olho tão firme nas subidas e descidas do café!... Que significa isso senão riquezas, sedas, commendas, e afinal baronatos e talvez até a carta de conselho! Depois... poucos filhos... Comprehende?... Não ha tempo.
Ribeiro.—E isso é mais conforme á poesia...
Fonseca.—De certo! E mesmo impedem-se subdivisões de fortuna...
Ribeiro.—É pena que o seu sobrinho não cultive (parando nas palavras) alguma arte... Olhe, se eu fosse moço ensaiava o piano ou então a harpa (com gesto de quem dedilha). É tão gracioso!
Fonseca (meio admirado).—Pois quer mais arte do que a que elle tem? Quer um teclado mais difficil de conhecer do que seja a opinião dos agiotas... do que o capricho dos homens da praça? Oh! se houver no mundo outro noivo como elle, certamente não ha tres... Não, isto lhe asseguro!... Muito brevemente elle terá de seu cento e cincoenta contos de réis... vinte e oito annos.... e um juizo!... Não é sovina... nem gastador; sempre no meio termo...
Ribeiro.—Creio que elle agrada tambem á minha mulher...