Fonseca.—Tenho toda a certeza. Não ha coração que lhe resista.
Ribeiro.—E minha filha? Que pensará d’elle?
Fonseca (com segurança).—Não póde deixar de sympathisar muito com o meu sobrinho...
Ribeiro.—Elle não se lembrou ainda de offertar-lhe um album...
Fonseca.—Qual album!...
Ribeiro.—Na sua posição não lhe ficava mal... Um moço, quasi um noivo, entra em toda a parte com um album debaixo do braço e com versos de sua lavra ou de algum amigo... Isto agrada sempre ás mulheres...
Fonseca.—Não duvido; mas um homem como o Miguel, falle com franqueza, póde estar a namorar? Confessemos que é um periodo difficil esse em que a gente sente necessidade de casar, procura uma noiva e tem que lhe fazer a côrte. Quem tem algum tacto vai logo simplificando tudo... Não vê como o Miguel sahe-se d’esse passo? Observou a sua reserva, a sua dignidade?.. Estou certissimo que elle ama a sua filha como um louco, mas quanta calma!... Hen? mal se percebe...
Ribeiro.—Na verdade. Acho-o até frio de mais... Eu não quizéra levar o casamento de minha filha, como se fôra um negocio commercial...
Fonseca.—Mas quem pensa em tal, Santo Deos?! Nada. É preciso que falle o sentimento... E quer que lhe dê uma prova? Ha dias o meu sobrinho disse-me com toda a convicção: se eu não casar com Isabel, hei de ter que fazer uma viagem á Europa para distrahir-me... Meça, Sr. Ribeiro, (com tom grave) o sacrificio! Um homem tão occupado! uma viagem e não é a Juiz de Fóra ou a Theresopolis. Qual! (com ar funebre) É á Europa!...
Ribeiro.—Com effeito, se elle disse isso...