—É melhor que o Sr. se vá embora.

—Não, Innocencia, tenha pena de mim... Eu não poderei vel-a tão cedo e ... preciso conversar ... mesmo para arranjo da nossa vida... O Manecão não tarda...

—Ah! exclamou ella com sobresalto, então mecê sabe...

—Sei; e desgraçadamente, breve está elle batendo aqui...

—Eu bem dizia que o Sr. me havéra de perder... Antes de o ter visto ... casar com aquelle homem, me agradava até... Era uma novidade ... porque elle lhe disse que me levava para a villa... Mas agora esta idéa me mette horror! Porque é que mecê mexeu commigo? Sou uma pobre menina, que não tem mãe desde creancinha... Não ha tanta moça nas cidades ... nos povoados?... Porque veio tirar o somno ... a vontade de viver a quem era ... tão alegre ... que até hoje não pensou em maldade ... e nunca fez damno a ninguem?

—E eu? replicou com energia Cyrino, pensa então que sou feliz?... Olhe bem uma coisa Innocencia. Digo-lhe isto deante de Deus: ou hei de casar com você ... ou dou cabo da vida... Quem arranjou tudo assim ... foi o meu caiporismo... Se eu tivesse passado aqui antes daquelle homem, que odeio, que quizera matar ... nada impediria que eu fosse hoje o ente mais feliz do mundo!... Mais feliz aqui neste sertão, do que o Imperador nos seus paços lá na côrte do Rio de Janeiro! Eu já lhe disse ... culpa não tive...

—Não ha nada que me possa salvar, atalhou a moça.

—Nada?... Talvez...

Soou nesse momento e repentinamente do lado do laranjal um assobio prolongado, agudissimo, e uma pedra, arremessada por mão mysteriosa e com muita força, sibilou nos ares e veiu bater na parede com surda pancada, passando rente á cabeça de Cyrino.

Deu Innocencia abafado grito de terror e fechou rapidamente a janella, ao passo que o mancebo, esgueirando-se com celeridade pela sombra, resoluto correu para o ponto donde presumia ter partido a pedra.