—Ah! o senhor é de Minas?
—Geraes, se me faz favor. Baptizei-me em Vassouras, mas sou mineiro da gemma. Andei séca e méca antes de vir deitar poita neste paiz. Isto já faz muito tempo, pois tambem vou ficando velho. Ha mais de quarenta annos pelo menos que sahi da casa dos meus pais...
E interrompendo o que dizia, perguntou:
—O senhor também é de Minas?
—Nhor-não, respondeu o outro. Sou caipira de S. Paulo: nasci na villa de Casa-Branca, mas fui criado em Ouro-Preto.
—Ah! na cidade Imperial[15]?...
—Lá mesmo.
—Então é quasi de casa, replicou o mineiro rindo-se ruidosamente. Ora, quem diria! Por isto me batia a passarinha, quando vi o seu rasto fresco na areia. Ahi vai, disse eu por vezes com os meus botões um sujeitinho que não tem pressa de pousar. Tambem tocando o meu canivete, tratei de agarral-o para não fazer a viagem a olhar para o céu e a banzar. Acha que obrei mal?
—Não, senhor, protestou o moço com affabilidade. Muito lhe agradeço a intenção. Assim alcançarei sem cansaço o Leal, onde pretendo dar hoje com os ossos.
—Oh! exclamou o outro todo expansivo, a caminhada é a mesma. Pois, meu rico senhor, eu moro a meia legua do Leal, torcendo á esquerda, e se vosmecê não tem compromissos lá com o homem fár-me-ha muito favor agasalhando-se em tecto de quem é pobre, mas amigo de servir. Minha tapera[16] é pouco retirada do caminho, e quem vem montado como o senhor, não tem que andar contando bocadinhos de leguas.