Olá, patricio, exclamou conchegando a cavalgadura.

—Olá, patricio, exclamou elle conchegando a cavalgadura á da pessoa a quem interpellava, então se vai botando para Camapoan?

Olhou o nosso cavalleiro com desconfiança e sobranceria para quem o interrogava tão sem ceremonia e meio-enviezado respondeu:

—Talvez sim ... talvez não ... Mas a que vem a pergunta?

—Ah! desculpe-me, replicou o outro rindo-se, nem siquer o saudei... Sou mesmo um estabanado... Deus esteja comvosco. Isto sempre me acontece... A minha lingua fica as vezes tão douda que se põe logo a bater-me nos dentes ... que é um Deus nos acuda e ... não ha que avisar: agua vae! Olhe, por vezes já me tem vindo damno, mas que quer? É sestro antigo... Não que eu seja malcriado, Deus de tal me defenda, abrenuncio; mas pega-me tal comichão de fallar que vou logo, sem tir-te, nem guar-te, dando á taramela...

A volubilidade com que foram ditas estas palavras causou certo espanto ao mancebo e o levou a novamente encarar o inopinado companheiro, desta feita com mais demora e ar menos altivo.

Notou então a physionomia alegre e bonachã do tagarella e, com ar de sympathia, correspondeu ao communicativo sorriso daquelle que, á força, queria travar conversação.

—Pelo que vejo, disse elle, o Sr. gosta de prosear.

—Ora se! retrucou o mineiro. Nestes sertões só sinto a falta de uma cousa: é de um christão com quem de vez em quando dê uns dedos de parola. Isto sim, por aqui é vasqueiro. Tudo anda tão calado!... uma verdadeira caipiragem!... Eu, não. Sou das Geraes[13] geralista como por cá se diz; nasci no Parahybuna, conheci no meu tempo pessoas de muita educação, gente mesma de truz e fui criado na Matta do Rio como homem e não como bicho do monte[14].