Uma occasião, de volta do trabalho diario, attingiu a habitual irritação de Pereira contra Meyer grande intensidade. Entrara cabisbaixo, sorumbatico e fez gesto a Cyrino de que precisava falar-lhe a sós. Dalli a pouco, saindo ambos, caminharam silenciosos pela estrada até a um regato que ficava a meio quarto de legua da casa.

—Que terá este homem hoje? dizia Cyrino comsigo mesmo. Talvez vá chegando o momento de tratar do assumpto.

Voltou-se de repente Pereira e, com voz alterada, prorompeu em exclamações:

—Sabe, Doutor, que não posso mais aturar esse allamão?... Aquillo é um mandingueiro, uma çuçuarana, vinda do inferno para me botar a perder!... Meu irmão ... meu irmão, que presente me fez você!...

—Mas, que houve? perguntou Cyrino.

—Olhe ... se não fosse aquella carta, e a palavra que dei ao maldito ... mil raios o partam, surucucú do diabo! potro melado!... já um bom balazio lhe teria varado os miolos...

—Que novidades ha então, Sr. Pereira? tornou a inquirir Cyrino.

—Vim mesmo até aqui para tirar este peso do coração...

—Mas...

—Sabe o senhor que aquelle Mochú é peor que um tigre preto?... Parece homem á toa, um punga, incapaz de matar uma pulga, não é?... Pois aquillo é uma alma damnada ... um seductor...