—Onde?... É longe?...

Meio longe, meio perto... Mecê não conhece o Pauda[109]?

—Conheço... A 16 leguas do rio Paranahyba...

—Pois é ahi que padrinho pára[110]... A esquerda da fazenda do Pauda, n'umas terras de sesmaria...

—E como se chama elle?

—Antonio Cesario... Papae lhe deve favores de dinheiro e faz tudo quanto elle manda... Se dissesse uma palavra, Manecão havéra de ficar atrapalhado...

—Oh! exclamou Cyrino com confiança, estamos salvos então!... Amanhã mesmo, monto a cavallo e toco para lá... Daqui á villa são sete leguas... Até lá, umas dezesete... É um passeio... Chego ... conto-lhe tudo ... ponho-me de rastos aos seus pés ... e...

—Mas, interrompeu Innocencia, não lhe falle em mim, ouviu? Não lhe diga que tratou commigo ... que commigo mapiou... Estava tudo perdido... Invente umas historias ... faça-se de rico ... nem de leve deixe assumptar que foi por meu juizo que mecê bateu a porta delle... Hi! com gente desconfiada, é preciso saber negacear...

—Oh! meu Deus, disse Cyrino no auge da alegria, estamos salvos!... Não ha duvida... Vejo agora como hade tudo acontecer... Depois de um dia ou dois de parada na casa, desembucho o negocio. O velho escreve uma carta a seu pae e, pelo menos, se não se arredar logo o Manecão ... ganha-se tempo... Eu já quizera estar montado na minha besta tordilha queimada, a bater a estrada por ahi afóra... Dois dias para ir, dois para voltar, dois ou tres de pousada... Com pouco mais de uma semana, estou de volta, trazendo ou a felicidade ou a caipora de uma vez. Não! Tenho fé em Nossa Senhora da Abbadia... Ella nos ajudará ... e juntos havemos ainda de cumprir a promessa que já fiz...

—Que permessa foi? perguntou Innocencia com curiosidade.