—Mas você não a conheceu! Morreu, quando você era pequetita...
—Não faz nada, continuou Innocencia, logo vi que era minha mãe... Olhava para mim tão amorosa!... Perguntou-me: Cadê seu pae? Respondi com medo. Está na roça; quer mecê, que elle venha?—Não, me disse ella, não é perciso; diga-lhe a elle que eu vim até cá, para não deixar Manecão casar com você, porque hade de ser infeliz ... muito!... muito!...
—E depois? perguntou Pereira levantando a cabeça com ar sombrio, gyrando os olhos.
—Depois ... disse mais... Se esse homem casar com você, uma grande desgraça hade entrar ... nesta casa que foi minha e onde não haverá mais socego. Bote seu pae bem sentido nisso. E sem mais palavra, sumiu-se como uma luz que se apaga.
Cravou Pereira olhar inquiridor na filha.
Uma suspeita lhe atravessou o espirito.
—Que signal tinha sua mãe no rosto?
Innocencia empallideceu.
Levando ambas as mãos á cabeça e prorompendo em ruidoso pranto, exclamou:
—Não sei ... eu estou mentindo ... Isto tudo é mentira! É mentira! Não vi minha mãe!... Perdão, minha mãe, perdão!