—Casar.

Arregalou Pereira os olhos e de espanto abriu a boca.

—Que? perguntou elle elevando muito a voz. Comprehendeu a pobresinha que a lucta ia travar-se. Era chegado o momento.

Revestiu-se de toda a coragem.

—Sim, meu pae, este casamento não deve fazer-se...

—Você está doida? observou Pereira com fingida tranquilidade.

Prosseguiu então Innocencia com muita rapidez, as faces incendiadas de rubor:

—Conto-lhe tudo papae... Não me queira mal... Foi um sonho... O outro dia, antes de Manecão chegar, estava sesteando e tive um sonho... Neste sonho, ouviu, papae? minha mãe vinha descendo do céu... Coitada! estava tão branca que mettia pena... Vinha bem limpa, com um vestido todo azul ... leve, leve!

—Sua mãe? balbuciou Pereira tomado de ligeiro assombro.

—Nhôr sim, ella mesma...