—Com effeito, confirmou Cesario.

—Pois bem, daqui a nada tudo lhe ficará claro e explicado... Se emquanto eu falar ... o offender, perdoe-me, ouviu?

—Sr. Cesario, continuou Cyrino após breve pausa, se o Sr. visse um homem arrastado numa corredeira[120] e pudesse atirar-lhe uma corda e salval-o ... o faria?

—Boa duvida! replicou o outro com força. Ainda que corra perigo de vida, não deixarei homem nenhum, branco ou preto, livre ou escravo, rico ou pobre, conhecido ou não, sem o soccorro de meu braço.

—Pois bem, exclamou Cyrino arrebatadamente, sou eu esse homem que vae morrer, que está perdido e a quem o Sr. pode salvar...

E respondendo á tacita suspeita de quem o ouvia:

—Não acredite que esteja doido ... não. Estou tão são de juizo como o Sr. e falo-lhe a verdade. Uma palavra esclarece-lhe tudo ... eu morro de paixão por uma mulher e essa mulher é ... sua afilhada!... Innocencia!

De um pulo levantou-se Cesario. Seus labios tremiam, os olhos de subito injectados de sangue. A mão procurou a arma que lhe ficava ao lado.

—Que é isso? balbuciou encarando fixamente Cyrino.

Adivinhara-lhe este todos os pensamentos.