—Que quer você aqui? perguntou o mineiro com aspereza.
Começou então o homunculo a explicar por gestos vagarosos, mas muito expressivos, que de tudo estava sciente, participando de todos os projectos e do mesmo sentimento de indignação e desespero que enchia os dois offendidos.
Depois, apressando mais a gesticulação e por sons meio articulados, fez ver que Pereira laborava em engano, tão somente quanto á pessoa.
Com muita propriedade de imitação e perfeita mimica, ora levantando o braço para caracterisar as physionomias, tão exactamente representou Meyer e Cyrino, que o mineiro logo os reconheceu.
—Bem sei, bem sei Tico, murmurou elle. Você fala do doutor e daquelle...
Ahi o anão fez um gesto de negação e, apontando para o quarto de Innocencia, indicou que nada tinha ella com o allemão.
Ficaram pasmos os dois.
—Então, balbuciou Pereira, quem será?... Cy ... rino, meu Deus?!
—Sim... Sim! gritou o anão com violento esforço abaixando muitas vezes a cabeça.
—Qual! protestou Pereira, o doutor?...