Parando um pouco concluiu tomado de enleio:
—Se quizer aceital-a.
—Havemos de conversar...
Teve o mineiro uma explosão de desespero.
—Meu Deus, exclamou com dor, em que mundo vivemos nós? Um homem entra na minha casa, come do que eu como, dorme debaixo do meu tecto, bebe da agua que, carrego da fonte, esse homem chega aqui e, de uma morada de paz e de honra, faz um lugar de desordem e vergonha! Não, mil raios me partam!... Não quero mais saber que esse miseravel respire o ar que respiro. Não! mil vezes, não! E desde já enxoto a canalhada que trouxe, gente do inferno como elle!... Heide cuspir-lhes na cara... Pinchal-os fóra como cães que são!.. Ladrões!... Eu...
Interrompeu-o Manecão com calma:
—Não faça nada... É preciso que ninguem saiba do que se está passando aqui... Ninguem!... percebe?
—E então?
—Faça de conta[122] que recebeu uma letra[123] de Sant'Anna. O cujo foi quem a mandou, para que os camaradas o vão esperar no Leal... Ouviu?
Pereira fez signal de tudo comprehender.