—Depois, acrescentou Manecão com voz sinistra, mãos a obra.

—Você diz bem, retorquiu Pereira, tenha pena de mim... Estou com esta cabeça como um cortiço de guaxupés... É um zumbido!... Mostre que já é dono desta casa e faça como entender... Entrego-me de pés e mãos atadas a você... Tudo lhe pertence... Emquanto a honra do mineiro não for desaffrontada ... não levanto o rosto... Meu Deus, meu Deus, que vergonha!...

—Coragem, coragem, aconselhou o outro.

—Se este socavão não chegar para esconder minhas miserias ... mudo-me para as bandas do Apa... Parece que vou morrer ... sinto fogo dentro da cabeça...

E vencido pela emoção encostou a testa á mesa, deixando cahir os braços.

Bateu-lhe Manecão no hombro.

—Que é isso, meu pae? animo! De que serve ser homem?... Olhe, cara a cara a sua desgraça ... que tambem é minha. Não o consola a certeza de que aquelle homem brevemente...

—Sim, replicou Pereira levantando a cabeça e reparando que o anão se retirara, mas que faremos deste tico de gente, que sabe tudo?

—Não o deixe sair mais de casa.

—Qual!... É que nem mussú. Quando a gente mal pensa, surge no Sucuriú e até no Corredor.