Do seu rosto irradiava singela expressão de encantadora ingenuidade, realçada pela meiguice do olhar sereno que a custo, parecia coar por entre os cilios sedosos a franjar-lhe as palpebras, e compridos a ponto de projectarem sombras nas mimosas faces.
Era o nariz fino, um bocadinho arqueado; a bocca pequena, e o queixo admiravelmente torneado.
Ao erguer a cabeça para tirar o braço de sob o lençol, descera um nada a camisinha de crivo que vestia, deixando nú um collo de fascinadora alvura, em que resaltava um ou outro signal de nascença.
Razões de sobra tinha, pois o pretenso facultativo para sentir a mão fria e um tanto incerta, e não poder atinar com o pulso de tão gentil cliente.
—Então? perguntou o pae.
—Febre nenhuma, respondeu Cyrino, cujos olhos fitavam com mal disfarçada surpresa as feições de Innocencia.
—E que temos que fazer?
—Dar-lhe hoje mesmo um suador de folhas de laranjeira da terra a ver se transpira bastante e, quando for meia noite, acordar-me para vir administrar uma boa dóse de sulfato.
Levantára a doente os olhos e os cravara em Cyrino, para seguir com attenção as prescripções que lhe deviam restituir a saúde.
—Não tem fome nenhuma, observou o pae; ha quasi tres dias que só vive de beberagens. É uma ardencia continua; isto até nem parecem maleitas.