O anão abanou a cabeça, olhando com orgulho para Cyrino.
—Mas é filho aqui da casa? perguntou este.
—Nhôr-não; tem mãe à beira do rio Sucuriú daqui a 40 leguas, e envereda de lá para cá n'um instante, vindo a pousar pelas casas que todas o recebem com gosto, porque é bichinho que não faz mal a ninguem. Aqui fica duas, tres e mais semanas e depois dispara como um matteiro[55] para a casa da mãe. É uma especie de cachorro de Nocencia. Não é, Tico?
Fez o mudo signal que sim e apontou com ar risonho para o lado da moça.
Pereira, depois de todas aquellas explicações que o anão parecia ouvir com satisfacção, disse voltando-se para este, ou melhor abaixando-se em cima da sua cabeça:
—Agora, meu filho, vae ao curral grande e apanha para mim[56] um mãosada[57] de folhas de laranjeira da terra ... daquelle pé grande que encosta na tronqueira.
Mostrou o homunculo com expressivo gesto que entendera e saiu correndo.
Ia Cyrino deixar o quarto, não sem ter olhado com demora para o lugar onde estava deitada a enferma, quando Pereira o chamou:
—Ó doutor, Nocencia quer beber uma pouca de agua... Fará mal?
—Aqui não ha limões doces? indagou o moço.