Ficou este, pois, ao lado da menina e, como sobre o lindo rosto batesse de chapa a luz collocada numa prateleira da parede, pôz-se a contemplal-a com enleio e vagar, ao passo que da sua parte o anão lhe deitava olhares inquietos e algo sombrios.
Pousara Innocencia a cabeça no travesseiro e, para occultar a perturbação de se ver tão de perto observada, fingia dormir. Pelo menos tinha as grandes palpebras cerradas e o rosto sereno; mas arfava-lhe apressado o peito e, de vez em quando, fugaz rubor lhe tingia as faces descoradas.
Pereira tardava; e Cyrino com os olhos fixos, a physionomia meditativa e um pouco de pallidez, que denunciava a intima commoção, não se fartava de admirar a belleza da gentil doente.
Uma vez, entreabriu os olhos e a medo atirou um olhar que se cruzou com o do mancebo, olhar rapido, instantaneo, mas que lhe repercutiu direito ao coração e lhe fez estremecer o corpo todo.
Sem saber porque, batia-lhe o queixo, e um arrepio de frio lhe circulava nas veias.
—Sente mais febre? perguntou Cyrino muito baixinho.
—Não sei, foi a resposta, e resposta demorada.
—Deixe-me ver o seu pulso.
E tomando-lhe a mão, apertou-a com ardor entre as suas, retendo-a, apezar dos ligeiros esforços que para a retrahir, empregou ella por vezes.
Nisto, entrou Pereira. Innocencia fechou com presteza os olhos e Cyrino voltou-se rapidamente, levando um dedo aos labios para recommendar silencio.