Depois de atravessarem um quarto bastante escuro, chegaram os visitantes á sala de jantar, vasto aposento ladrilhado, mas sem forro, a um canto do qual estava a filha do mineiro, mais deitada do que sentada numa especie de canapé de tacuara.

Tinha os pés sobre uma bonita pelle de tamanduá-bandeira, onde se acocorara, conforme o habito, o anão a quem Pereira chamara Tico.

Ao ver chegar tanta gente, abriu a formosa menina uns grandes olhos de espanto; quiz toda enleada erguer-se, mas não poude e, corando ligeiramente, teve como que um deliquio de fraqueza.

Approximara-se logo Cyrino com vivacidade.

—A dona, disse elle para Pereira, está tão fraca que mette dó.

Chegou-se o pae juntamente com Meyer e, tomando as mãos da filha, perguntou-lhe com voz meiga e inquieta:

—Sente-se peior, meu bemsinho?

—Nhôr-não, respondeu ella.

—Pois então!... É preciso não entregar o corpo á molleza... Abra os olhos... Olhe... está aqui este homem (e apontou para Meyer) que é allamão e trouxe uma carta do tio de mecê, o Chico, lá da Matta do Rio. Quero mostrar que, para mim, vale tanto como se fosse esse proprio parente tão a nós chegado. Por isso é que venho apresental-o...

Ella nada articulou.