—Chamo-me Guilherme Tembel Meyer, seu humilde criado, e estimo muito conhecel-a por ser a senhora filha de um amigo meu e prender a gente com o seu lindo rosto...
Estendeu então a mão, fez um movimento de cabeça, e acompanhou ao mineiro que já ia sahindo branco de colera concentrada.
—E que me diz o Sr. deste homem? perguntou a Cyrino a meia voz e puxando-o de parte.
—Reparei muito nos seus modos, respondeu-lhe o outro no mesmo tom.
—Nem sei como me contenha... Estou cego de raiva ... Que presente me mandou o Chico!... É uma peste, este diabo melado[77]... Vê uma rapariguinha e enche logo as bochechas para lhe dizer meia duzia de pachuchadas e graçolas... Não está má esta!... É um perdido. Nada... Isto não me cheira bem: vou ficar de olho nelle...
—Faz muito bem, apoiou Cyrino.
—Vejam só, continuou Pereira retendo o seu interlocutor para deixar Meyer distanciar-se, em boas me fui eu metter!... Se não fosse a tal carta do mano o cujo dansava ao som do cacete... Malcriadaço! Uma mulher que daqui a dois dias está para receber marido... Deus nos livre que o Manecão o ouvisse... Desancava-o logo, se não o cosesse a facadas... Vejam só, hen?... Sempre é gente de outras terras... Cruz! Tambem vi logo ... um latagão bonito ... todo faceiro ... havéra por força de ser rufião[78].
Ouvia-o Cyrino em silencio.
—E mulher, proseguiu o mineiro com raivosa volubilidade, é gente tão levada da breca, que se lambe toda de gosto com ditinhos e requebros desta sucia de embromadores. Com ellas, digo eu sempre, não ha que fiar... Má hora me trouxe este allamão ... Mil raios o rachem!... E logo o Chico... Tenho agora que ficar de alcateia ... metter-me em tocaia[79] e fazer fojos para que a bracayá[80] não me entre no gallinheiro. Ora que tal!
—Tambem, breve se vae elle embora, lembrou Cyrino a modo de consolo.