—Oh! Sr. Meyer, agradeceu este com effusão, não sabe quanto lhe fico...
—Qual! não tem obrigação, não, senhor. Além do mais, sua filha é muito bonita, muito bonita, e parece boa deveras... Ha-de ter umas cores tão lindas, que eu daria tudo para vel-a com saude...
Que moça!... Muito bella!
Estas palavras que o innocente saxonio pronunciara ex abundantia cordis produziram extraordinario abalo nas pessoas que as ouviram.
Tornou-se Pereira pallido, franzindo os sobrolhos e olhando de esguelha para quem tão imprudentemente elogiava assim, cara a cara, a belleza de sua filha; Innocencia enrubeceu que nem uma romã; Cyrino sentiu um movimento impetuoso, misturado de extranheza e desespero, e, lá da sua pelle de tamanduá-bandeira, ergueu-se meio apavorado o anão.
Nem reparou Meyer e com a habitual ingenuidade proseguiu:
—Aqui, no sertão do Brazil, ha o mau costume de esconder as mulheres. Viajante não sabe de todo se são bonitas, se feias, e nada pode contar nos livros para o conhecimento dos que lêem. Mas, palavra de honra, Sr. Pereira, se todas se parecem com esta sua filha, é cousa muito e muito digna de ser vista e escripta! Eu...
—O senhor não quer retirar-se? interrompeu Pereira com modo aspero.
—Pois não! replicou o allemão.
E como despedida accrescentou, dirigindo-se para Innocencia: