É do teor seguinte o auto de doação do cadaver de Camillo:
«Os abaixo assignados, D. Anna Augusta Placido (Viscondessa de Correia Botelho) viuva, e Nuno Castello Branco (Visconde de S. Miguel de Seide) vimos na qualidade de esposa e filho do falecido sr. Camillo Castello Branco (Visconde de Correia Botelho), ambos residentes na freguesia de S. Miguel de Seide, do concelho de Villa Nova de Famalicão, no districto de{29} Braga, querendo cumprir as determinações de seu amado esposo e pai, que manifestou a expressa vontade de ser sepultado no cemiterio da Real Irmandade de N. Senhora da Lapa (na cidade do Porto), no jazigo da familia do seu dedicado amigo João Antonio de Freitas Fortuna, a quem por escripto estipulou, «que nenhuma força ou consideração o demova de conservar-lhe as cinzas, perpetuamente na sua capella»—; os abaixo assignados revalidam por este acto a entrega e doação que fizeram do cadaver do seu querido esposo e pae ao referido João Antonio de Freitas Fortuna, residente na rua de Cedofeita n.º 986, da cidade do Porto, que o recebeu e acceitou com o encargo de o conservar perpetuamente na sepultura numero um do referido jazigo de sua familia, onde está, e onde deve estar ad perpetuam . E por isto conferem ao indicado João Antonio de Freitas Fortuna, e aos seus representantes, que atravez dos tempos possam vir, e forem os legitimos possuidores{30} da referida capella, todos os poderes em direito necessarios, sem exclusão alguma, e com a faculdade de substabelecerem, para que nunca, e sob qualquer pretexto que seja, possa ser retirado da indicada sepultura perpetua em que jaz o cadaver do sr. Camillo Castello Branco, porque tal foi a sua expressa vontade dele, assim como é a dos abaixo assignados, que a fazem boa e querem que seja sempre cumprida como disposição testamentaria para o que por este titulo de doação onerosa desistem de todos os seus direitos ao referido cadaver e outorgam sem reserva alguma a João Antonio de Freitas Fortuna e a seus legitimos representantes na posse do referido jazigo, a fim de que possam cumprir as condições estipuladas aqui, e para realizarem todos os actos indispensaveis ao integral cumprimento da expressa vontade de seu amado esposo e pae, que respeitam e cumprem, como querem que os seus successores ou futuros representantes a cumpram{31} e respeitem. E por esta ser verdade, passam este acto de doação, que eu, Nuno Castello Branco, escrevo e que assignam com as testemunhas Francisco Correia de Carvalho, casado, proprietario da freguezia de S. Paio de Seide e Antonio Vaz Vieira de Napoles, solteiro da cidade de Guimarães. S. Miguel de Seide, 10 de Junho de 1890, e noventa.—(Ass.) Anna Augusta Placido, Viscondessa de Correia Botelho; Nuno Castello Branco, Visconde de S. Miguel de Seide; Francisco Correia de Carvalho e Antonio Vaz Vieira de Napoles.
(Segue-se o reconhecimento das assignaturas por João Bernardo Correia do Amaral, em 10 de junho de 1890).
Acceitação da doação anterior, averbada por Freitas Fortuna naquelle documento:
Eu, João Antonio de Freitas Fortuna, abaixo assignado, casado e residente na rua{32} de Cedofeita, n.º 986 da cidade do Porto, cumprindo o disposto no art. 1466 do Codigo Civil portuguez, averbo neste documento a acceitação do cadaver do meu presado amigo o sr. Camillo Castello Branco (Visconde de Correia Botelho) e que me foi doado e entregue, e que eu aceitei com o encargo de o conservar perpetuamente na sepultura numero um do jazigo de minha familia, onde jaz, no cemiterio da Real Irmandade de N. Senhora da Lapa, e sob a condição de que nunca, e sob qualquer pretexto que seja, os descendentes de meu bom pai ou usufructuarios do indicado jazigo o tirem da referida sepultura ou consintam que o retirem, como se expoz no auto de doação supra que fez a Exma. Sra. Viscondessa de Correia Botelho e Exmo. Sr. Visconde de S. Miguel de Seide, esposa e filho do meu falecido amigo. E por ser verdade o referido aqui, escrevo nesta doação a respectiva acceitação, que assigno perante o tabellião e as testemunhas, o sr. Domingos{33} Joaquim Machado, casado, negociante e morador na rua de Oliveira Monteiro e o sr. Albino Pinto dos Santos, solteiro, caixeiro e residente na rua Chã, ambos n'esta cidade do Porto.
Porto, 16 de junho de 1890 e noventa. (Ass.) J. A. de Freitas Fortuna, Domingos Joaquim Machado e Albino Pinto dos Santos[[6]].
(Reconhecimento feito pelo tabellião Edmundo Maia Campos Silva).
ULTIMO RETRATO DE CAMILLO FEITO NA «UNIÃO»