«De resto na sua esthetica, como na sua vida, sobresaltos de louco!»

Depois dum maior exgottamento de vida nervosa, adoeceu gravemente, e tão[{100}] gravemente, informa o Escriptor, que não era difficil «marcar na sua intelligencia o accesso vesperal da sua ennublação».

A partir deste momento deu-se a errar...

A sua enfermidade era como que uma obsessão de si proprio, sempre alerta contra o outro, isto é, contra aquelle que a sua duplicidade mental dava como presente aos seus menores actos—e lhe embaraçava tudo o que deliberasse!

Novos dias e elle cada vez mais doente, erratico, somnambulo, com a paixão do alcool e o susto de tudo.

Certa madrugada accordou horrorizado com a idéa de que o estavam a enterrar vivo e o desejo «de que o deixassem apodrecer fóra da cova»...

A partir deste dia a sua vida torna-se pavorosa; é a creatura sem rumo, equilibrando-se, ao justo, no acaso geral do arranjo commum.[{101}]

É, sobretudo, como expoente de vontade que o homem vale; ora elle perdera absolutamente a vontade, mantendo-se como que, provisoriamente, a dentro do seu corpo, ao tempo já desconjunctado de fantochino, e que lhe sobrevivia por milagre, como num assomo de quasi extravagante apego pelo que fôra...

O resto adivinha-se:—é a convulsão das ultimas horas; são restos de sonho; os derradeiros phantasmas, nos seus derradeiros dias; é elle gritando a sua agonia doida, numa casa de saude, a pelejar a morte, como se, de minuto a minuto, lhe rompessem cordões nervosos; finalmente elle ainda, mas com a vida a fugir-lhe e como que afilando-se-lhe até perder-se na noite rehabilitante da sua podridão...

E, entretanto, a sua historia não acaba ahi!