A missão nova era outra.

O nosso empenho devia ser, parecia-me, archivar todas as descobertas que vão além do commum, tomá-las como factos, fazer da duvida uma força, caminhar sobre a idéa conquistada, formular novas theses, acceitar o bem e o mal, a vida creada e latente, tomar os proprios devaneios como factos, pois que a imaginação é tambem um facto e primordial, notavel.

Assim, á Belleza do sentimento succedera na ordem critica, a escola do motivo averiguado. Para nós,—sentimento, os dados positivos, segundo a escola anterior, toda a elementação, creada ou latente, vão dar a uma escola nova, religiosa, universal, compativel com todas as razões e servindo a concepção da Vida, segundo os processos mais largos e alevantados. Primeiro a Literatura da Belleza, medida a compasso, feita precisão; a esta seguiu-se uma Arte exclusivamente sentimental; nós assistimos ao exaggero inverso, que quasi nos deu a negação do sentimento. O papel dos escriptores de hoje, apostolava eu—quasi ao findar da viagem—era apagar os preconceitos, aproveitando tudo e partindo da Literatura das idéas e dos factos para a Literatura das imagens, caminhando, confiadamente, sem exclusivismo e sem pressas.

—Sim, é verdade, confirmou Peregrina, o que perdeu os passados foi pretenderem fazer girar a terra em volta delles.

—Veja V. Ex.ª, continuei, os nossos liliputianos do Positivismo.

Theophilo Braga, por exemplo, deixa este mundo com a idéa de que esgotou a especulação mental; escreveu, suppõe, a ultima palavra da grande synthese poetica e philosophica da Nacionalidade; e a sua morte, parece-lhe, porá ponto na vida de Portugal, enchendo e fechando o Pantheon...

—Guimarães! gritou o empregado.

Chegáramos.

Maria Peregrina, ao despedir-se, insistiu:

—Que fosse a Lares, passar algumas horas ou dias, consoante a minha disposição.