E tão interessadamente o fez que prometti visitá-la, apenas me desobrigasse de Guimarães.

—Pois veja se tira tempo para mim, e vá com vagar. Se fôr com tempo e na disposição de ouvir-me, prometto contar-lhe episodios, que até agora tenho calado.

E sabe? disse com tristeza, talvez que estes episodios—o romance dos meus erros e amarguras—valham a Historia, que prende ao bandoleirismo dos Affonsos.

Liga-o á minha sensibilidade, a philosophia serena que usa, mau grado ser austera. Prometto fazer-lhe as minhas confissões, que marcam mais ousio, verá, do que as celebradas confissões de Rousseau.

Quero mesmo que tome commigo o compromisso de dizer um dia, em publico, o que lhe communicar. Reproduzirá religiosamente o que souber de mim, isto é, tudo o que lhe contar ou tenha por verdadeiro a meu respeito. Quero que os que estão por vir apprendam no meu caso a coragem da verdade.

Saberá, então, quem fui e sou.

Até Lares!

[II]

Foi por uma tarde de junho, quente e avermelhada, que tomei pacientemente um carro, indicando ao boleeiro o nosso destino—a Casa de Lares, mais de legua para além das Taipas.

De Guimarães ás Taipas viajámos com dia. Anesthesiavam-me dos tratos da jornada a tarde e a paisagem.