«Senhora, partem tão tristes
Meus olhos por vós, meu bem,
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguem!
Tão tristes, tão saúdosos,
Tão doentes da partida
Tão cançados, tão chorosos;
Da morte mais desejosos,
Cem mil vezes que da vida!
Partem tão tristes os tristes,
Tão fóra d'esperar bem
Que nunca tão tristes vistes
Outros nenhuns por ninguem»![1]

—Vaes deixar-me abraçar-te, disse quando elle acabou.

—Não, contrariou Ruy, esquivo e já de pé, entornando o olhar verde pela folhada mysteriosa do arvoredo...

É tarde, vou sahir.

—Espera um pouco.

E, dando por detonações, longe:

—Que é? Ouço barulho...

—Deve ser o desabar dum regimen, informou o Vagabundo. Já vês que não perdia o tempo enquanto conspirava pelas alfurjas, no segredo e abraço dos meus irmãos de crime.

—Ah! então conspiravas com essas figuras de patibulo com que ás vezes te via, ás noites, pela rua? Tenho prazer com a confissão. Não sabia que um artista, como és, podia tropeçar em coisas politicas, e suspeitava das tuas companhias. Pensava coisas peores...

O odio que me causavas quando te via encarar esses homens esguios, alvacentos, de torso recurvo, que o vicio planta nas esquinas, como postes de infamia, electrizando, vendendo-se á nevrose dos que passam...