Num dia em que o teu olhar se misturou no riso duma figura assim, senti gelar a alma, todos os sentimentos, no riso que te desafiou. Confundi-te com a larva que me pareceu essa figura...
Afinal, não podia ser; tu não podias dar-te áquelles farrapos.
Mas intrigava-me, profundamente, o mysterio que encobria os teus serões.
Em que passavas o tempo? Era o que me perguntava em vão. Como havia de suppor-te a conspirar! Tu a urdires a desgraça dum regimen!
Vem cá, minha creança. Deixa lá os regimens. Elles são o que valem; e valem os povos que inculcam.
Os povos são como as mulheres feias; culpam os espelhos que lhes reproduzem a hediondez!
Alegra-te aquelle barulhar de cobiça? Não é um systema que tomba. É o desabar das monarchias do Ocidente, dos povos que ellas inculcam, das tradições que resumem.
Mas que vale uma tal quéda, se a Arte e os artistas ficam! Não teem patria as grandes memorias...
Ainda te entretens com a cabala publica? Para que? Qualquer quota de esforço que lhe dês te deminue. Comicios, revoluções, conjuras, que é isso? Que valem, que entravam?
Nada. Uma nação moribunda a fazer phrases...