Se subia, era arfante e lento, num rumor de dyspneia que attingia o alto daquellas cordilheiras de agua. Ao descê-las, quasi cahia de chofre, sacudindo e batendo os corpos da tripulação extranha.

Cada onda que partia espiralava alto camarinhas de leite que morriam num veu sem côr.

Nos postos, os da tripulação systematizavam o trabalho aos signaes do mestre.

E Peregrina da camara roxa de crystal, que simulava na amurada uma amethysta, ia seguindo e vivendo aquellas violencias, anesthesiando-se em ondas de som, crente de que uma tal instabilidade a destinára, para o seu caso, o Deus das almas que lhe pedem esquecimentos.

Animava-se a barra, e havia lugres, escunas, a solicitarem para terra a intervenção da pilotagem.

Peregrina, que conhecia o significado das côres, lia de prompto as bandeiras alternadas nas barcas, senhoreando-se do programma de manobras.

Seguia com interesse aquella faina á procura de incidentes, aliás vulgares.

Assistia ao arranco das ondas, despedaçando de raiva os troncos de corda que atavam as barcas aos rebocadores. Interessava-a o espectaculo das suas refregas.

É então que a marinhagem se méde com o mar, e amargura suas intimidades, gosadas em marés suaves...

As ondas empoadas, atravessando as barcas, em doceis de espuma, quebram dentro os seus abraços. Enquanto estas, escramalhadas, apparecem, desapparecem, nas differenças da agua, que ainda ha pouco era planicie e logo se abriu em sulcos de quebrada e montanhas de cordilheira movediça.