E era ahi, áquella luz de alecrim, sob o docel mysterioso do arvoredo, que despedia os companheiros, recolhendo cedo e só a Mira-Mar.

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Recebia cartas de Nuno de quando em quando. E escrevia-lhe todos os dias.

Elle, sem coragem para dizer o seu tormento, mentia por cobardia, e ainda por amor della.

Contemporizava. Ella, sentindo as sombras da antiga tristeza, curava de illudir-se, enchendo o tempo com passeios, e ritos de velhos cultos. Chegaram novas de Lisboa e do Mosteiro.

Helen tinha resvalado ao ultimo degrau da torpeza, fugindo do marido para ir viver num pateo com a Manola, marafona e bebada.

O marido pedira transferencia para uma legação de inferior classe e sahira penitente das vergonhas da mulher.

A Salomé dava-lhe parte do casamento proximo. Resvalára aos braços do lente Amaro, avido de cevar a sensualidade erudita naquella loira de carnes brancas e pennugentas, e prompto a embolsar os duzentos contos que tinham ficado dos Pamplonas, em terras e inscripções.

Maria Peregrina via fugir tudo o que a prendera, á excepção de Nuno.

Mas, ao mesmo tempo que sentia o correr dos dias, via avisinhar-se, cada vez mais, a antiga melancholia, uma tristeza que mal explicava.