—Cala-te! mandou Peregrina.

—Ah! não queres que fale; calarei as novas que te trazia delle...

Não acreditas que tenha estado com elle? Affirmo-to, juro-te. Juro? Como hei de jurar, se não tenho religião alguma!?

Creio que sou o unico assim, em todos os mundos. Até o diabo tem a sua, pois que é proprietario do Inferno, precisa tambem de cabalas para explorar, negociar almas.

Eu nem inferno tenho!

—Jacob! se sabes alguma coisa de Nuno, dize. Mas não me atormentes.

—Vou então completar o sonho.

Eu beirava o eirado da Villa-Feia, encostado ao galho, meio podre, meio florido, dum medronheiro de muitos pés de altura, testemunha dos meus zelos. Subito, o ramo partiu, e o Destino precipitou-me sobre os dois, sobre vós. Tu mergulhaste na agua suja do Ribeiro de Cobre que foi rapida levar-te ao Douro, que no dia seguinte era mais de oiro, correndo como um grilhão immenso para o mar, conduzido por força mysteriosa. Horas depois, eras o Mar!

Elle ficou na minha frente, mudo e estupido, como a Innocencia que o Destino empreita para fazer mal.

Foi então que, desesperado, o retalhei com uma lamina que recebi do momento. Quem ma deu? Ninguem...