Sensualizar a vida, descobrindo fontes novas de prazer e dor, transformá-la num mundo de alma, tal a faina suprema dos apostolos da Belleza.

Myopes e inferiores, ouvi!

—A liturgia em que geralmente resumis o appetite genesico chega para a vossa felicidade, basta aos vossos instinctos, porque a alma vos cabe dentro dos orgãos que vos inculcam o sexo.

Vale uns minutos abjectos o vosso amor...

Nós amamos tudo e sempre. O Amor é para nós a razão unica da Vida.

Por isso Wilde, o condemnado, cantou ternamente o amor dos monstros e das flores; casou os homens com os habitantes imaginarios dos bosques e do mar, e expiou na prisão o delicto de ter gostado tudo, amando e cantando a symphonia das linhas, a intelligencia da Carne, a liberdade da alma!

Quando será a libertação collectiva? Sei lá! Fecho os olhos e perco-me a memorar a fileira interminavel das victimas. Quando se realizará a grande paz no Amor? Talvez nunca... E quem sabe?

Wagner, o mais genial revolucionario do mundo, pretendeu fazer do Universo um canto.

Assombrosa concepção se a completarmos! Exultemos, sobretudo, a Sensualidade, no mais largo significado, no bem infinito que é. Cantar é amar. O Rhythmo das coisas é a expressão sensual do mundo em vibração, a orchestrar, a melodiar o Amor!... Amemos tudo.

Nesta hora de dor agradabilissima, sinto-me inclinada a amar o proprio odio que inspirei—o odio que me votaram e o desalento que o Destino me distribuiu em bem da Morte.