Podia agitar-me em sofreguidões de prazer, collar o corpo franzino a homens que se alternassem no mister de fecundar, dar á sociedade filhos em vez dos meus tormentos de Arte. Podia. E, se as creaturas com quem commerciasse amores tivessem a marca de maridos,—a sociedade receber-me-ia. A sensibilidade impôs-me uma liturgia propria. Amei a esmo. E destes amores sahiram os livros que por ahi correm,—paginas luxuriantes a reconstituirem horas duma tortura celeste e diabolica.
Livros são filhos. Os meus são-no tambem da Luxuria, duma luxuria extranha...
Assim a Nova Sapho e, sobretudo, a Emparedada.
Estas obras, a que uma élite concedeu foros supremos, fluctuam uma nevrose que a sociedade odeia.
Não fui um pousio. Fecundei á minha maneira. Mas para produzir, crear, exigi uma liturgia complicada, reflectindo-a ousadamente.
Ingenuos! Ha fructos e fructos.
Que horror a tudo o que é extravagante!
Porque foi Christo enorme?—tão grande que projectou a maior sombra divina que um homem tem projectado!
É que o genio universal o derivou de Maria de Nazareth sobrenaturalmente, sem a macula do peccado original.
É filho duma virgem da linhagem de David e de muitas religiões liadas pelo genio indico.