Á porta estava Edgar, a tremer de commoção, cingindo uma capa leve, redonda pelos joelhos.
—Entra, disse-lhe Maria.
—É então certo, meu amor, que te condoeste de mim? Imaginei ao ler o teu bilhete que não era verdadeiro. Não podia ser. Tu não podias querer-me. Quasi me não falavas depois que te revelei o meu amor. E assim, de repente, um recado para que te viesse possuir... Que estranha és! Que abençoado momento te inspirou, dizia elle abraçando-a... Foi o genio do amor que preside a tudo, que sabe quanto a minha vida te merece.
Mas, vejo-te tão morna, depois duma resolução tão nobre...
Maria, sê minha devéras. E conta-me o que te levou a chamar-me. Dize-me que me queres. Que sou o escravo do teu amor...
E, solto da capa, apertava-a contra o corpo, despindo-a, e listrando a beijos a sua carne morena...
E ella, afastando-o com mansidão, deslumbrada:
—Deixa-me ver-te com olhos de Artista. És bello, realmente!
E desapertando-lhe a malha lilaz:
—Despe tudo isso, quero ver-te bem. A historia do bilhete é simples. Recebi esta manhã carta de Helen. Casou hoje. A esta hora deve estar com o noivo; lembrei-me de tirar uma copia do casamento... Quiz ser possuida ao mesmo tempo que ella, e lembrei-me de ti!