Um mês depois levantou-se. Estava alquebrada, mas o tempo primava em lhe conservar a belleza, em desconto das infelicidades.
Deu-se por esse tempo um acontecimento decisivo para ella.
Paris intellectual, benevolo e esquecido das miserias intimas de Wilde, offereceu-lhe uma festa.
Peregrina encontrou no acontecimento um ponto de sahida da antiga vida de Londres. Associou-se aos camaradas de Paris e partiu a tomar parte na homenagem.
—Adeus, meus amigos, dizia abraçando diversos artistas, despedindo-se. Não voltarei. E, no entanto, presinto que serei tanto mais infeliz quanto mais me desviar da Inglaterra. Aqui deixo o melhor e o peor da mocidade...
[VI]
Depois de curta passagem por Paris, Berlim, Scandinavia, Roma e Napoles, entrou Maria Peregrina em Athenas, na tenção de demorar-se. Violet acompanhava-a.
Vivendo a Grecia antes mesmo de a ver, sentiu á chegada uma grande commoção de quem encontra uma terra desde muito seguida em espirito.
O mar da Grecia não tem a côr desbotada da massa de agua no mar alto. Toma, á approximação do Archipelago, nova designação e tinta, como prestando homenagem á velha Hellada.
É um mar de lazulita, seguindo o recorte da Grecia em que salienta a gloriosa Athenas, branca em seus edificios de marmore de Pentelico e Paros.